A comunidade cristã copta, que representa cerca de 10% da população do Egito, sofreu neste domingo dois novos atentados, assumidos pelo Estado Islâmico – que já havia ameaçado recentemente esse grupo religioso. Pelo menos 25 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas depois da explosão de uma bomba caseira na igreja de São Jorge de Tanta, no delta do Rio Nilo, 120km ao norte do Cairo. O templo estava lotado de fiéis, por causa da celebração do Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa. Horas depois, aconteceu um suposto atentado suicida em frente à igreja de São Marcos, em Alexandria, causando pelo menos 11 mortes e mais de 20 feridos, de acordo com a emissora de TV estatal. O chefe da igreja ortodoxa copta, Tawadros II, havia estado no templo pouco antes. As explosões acontecem três semanas antes da visita do papa Francisco ao país norte-africano.

O Ministério da Saúde egípcio confirmou à agência estatal de notícias MENA o número de vítimas, que, diante da gravidade do quadro de alguns dos feridos, deve crescer.

O Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques, os mais mortais contra a minoria cristã do Egito em sua história recente. “Esquadrões do Estado Islâmico realizaram os ataques contra duas igrejas em Tanta e Alexandria”, informou a agência de notícias Amaq, o órgão de comunicação do grupo terrorista nas redes sociais. O grupo, que causou 25 mortes em dezembro do ano passado na catedral de São Marcos, havia ameaçado novos atentados contra a comunidade cristã do Egito. Dezenas de famílias coptas fugiram da península de Sinai depois da mensagem divulgada pelos jihadistas do grupo Província Sinai, filial local do Estado Islâmico, e do assassinado de três cristãos na cidade de Al Arish, na costa mediterrânea da península.

Ataque Terrorista no Egito - Trilha GospelO papa Francisco, que tem uma visita prevista ao patriarca da igreja ortodoxa copta na catedral da capital do país, onde também se encontra a sede da direção eclesiástica, condenou os ataques antes da oração do Angelus, neste domingo, na praça de São Pedro, no Vaticano.

Em entrevista à emissora On TV, o primeiro ministro egípcio, Sherif Ismael, condenou o ataque e reiterou a determinação do Governo de acabar com o terrorismo no país: “Trata-se de um ato terrorista cruel, mas nós vamos acabar com o terrorismo no Egito e temos a determinação para acabar com os grupos terroristas”.

Com nove milhões de fiéis, os coptos ortodoxos são a comunidade cristã mais numerosa da região e suas raízes se confundem com os primeiros anos do cristianismo. As igrejas e propriedades coptas foram atacadas em vários lugares do país depois do golpe de Estado encabeçado, em 2013, pelo marechal Abdelfatá al Sisi contra Mohamed Morsi, líder da Irmandade Muçulmana, que havia sido eleito um ano antes, na primeira eleição direta do país.

Ataque Terrorista no Egito - Trilha GospelSetores islâmicos egípcios acusaram os cristãos de terem apoiado a ação militar que levou ao poder o atual presidente, que acabou reconhecido pelas urnas em 2014. O líder dos coptos, Tawadros II, estava na primeira fila das fotos de chefes militares e dirigentes políticos e sociais que expressaram, desde o início, seu apoio a El Sisi depois do golpe.

Brasil se diz ‘consternado’ com ataques no Egito e condena terrorismo

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota em que expressa “profunda consternação” por causa dos ataques. Segundo o Itamaraty, “ao expressar suas condolências às famílias das vítimas, seus votos de plena recuperação aos feridos e sua solidariedade com o povo e o governo do Egito, o Brasil reitera sua condenação a todo e qualquer ato de terrorismo, independente de sua motivação”.

Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou em solidariedade ao Egito. Em sua conta no Twitter, ele se disse “muito triste” ao tomar conhecimento do “ataque terrorista”. “Os Estados Unidos fortemente o condenam”, escreveu. “Tenho grande confiança em que o presidente Al Sisi [do Egito] lidará com a situação apropriadamente”, encerrou Trump.

 

 

Vladimir Putin

Em comunicado oficial, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, também condenou os ataques a igrejas coptas. “O crime cometido em plena festividade religiosa surpreende por sua ferocidade e cinismo. É óbvio que os terroristas não querem somente atemorizar as pessoas, mas também dividir as diferentes confissões [religiosas”]

O governante russo acrescentou que, “agindo juntos, ombro a ombro com outros membros responsáveis da comunidade internacional”, será possível “fazer frente às forças do terror e arrancar sua ideologia de ódio pela raiz”.

 

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